"Então escrevo, me busco em frases feitas e frases inventadas, colocando uma palavra atrás da outra na tentativa de construir uma lógica, um atalho, uma emoção que eu consiga sustentar e repartir."

Martha Medeiros




Escolhi respirar quando dei meu primeiro choro. Muitos podem dizer que foi apenas um reflexo, um instinto de sobrevivência...mas tenho escolhido respirar desde então. Não, nem sempre foi assim. Muitas vezes (muitas mesmo!), desejei não ver mais a cor do sol, sentir o vento no rosto, beber água e me sentir límpida por dentro. Desejei...mas fiz as escolhas certas.

Escolhi sorrir quando a vida me mostrou que há recomeços. Escolhi recomeçar, e desse ponto veio a transformação. Não sou outra pessoa, e tenho medo desses que dizem que mudaram por completo. Será que nossa essência é tão volúvel assim? Transformei detalhes, pequenas e sutis partezinhas do meu ser e, no processo, descobri que há mais milhões delas para aperfeiçoar. Escolhi amadurecer.

Escolhi mudar de casa, cidade, país. Escolhi também ter um lar, aquele lugarzinho aconchegante que nosso coração fica mais leve e sedento para voltar. Vi que posso. Vi que quero isso. Vi que mereço, assim como todos que existem nesse planeta. Sorte minha ter percebido isso, Quem dera que todos pudessem fazer essa escolha...ou que tivessem coragem para tal.

Escolhi me satisfazer. Quero matar a fome da minha curiosidade, da minha imaginação. Anseio ver com minhas próprias retinas a cor dos morros, a transparência dos mares, a força das chuvas e as palavras estrangeiras que habitam o mundo inteiro. Escolhi nunca mais parar de aprender. Teve um dia em que achei que isso não fosse relevante...mas ora! Como viver sem alimentar o que mais te aperta o estômago e grita de fome? Ah, escolhi certo mais uma vez.

Escolhi também chorar, sem vergonha. Eu choro, simples assim. A intensidade das minhas percepções e dos meus sentimentos é grande demais para guardar tudo no meu corpo. Preciso transbordar, para não sufocar. Escolhi ser sincera comigo mesma. Escolhi sentir.

Escolhi ter paciência. Para viver em comunhão com quem quer que seja, há de se esperar. Me perdi, e acabei escolhendo me anular em nome dessa espera. Por muito tempo escolhi não escolher, para não perder. Escolhi não falar, para não ver tudo ruir. Escolhi errado, e pensei não ter forças para recuperar. Consegui.

Escolhi ser feliz. Plenamente. Parecia apenas uma palavrinha utópica, na moda, mas vazia de significado. Pensava assim por ter escolhido sofrer. E quem pode escolher sofrer nessa vida? Escolhi casa, roupas, emprego, amores. Um amor. Para dar vazão a tamanha felicidade.

Escolho todos os dias coisas irrelevantes e banais. Hoje espero sua escolha para dar um novo sentido à minha própria vida. Notei que não posso escolher por ninguém, nem por você. Vi também que de nada serve o meu desejo, se não for igual ao seu, para que a vida seja conjunta. E escolho continuar escolhendo, o caminho que for, contanto que seja verdadeiro.


Imagem: aqui

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  1. Nossa Sucri que lindo! A vida é mesmo feita de escolhas e graças a Deus por isso. Tanto é que Ele nos deu o livre arbítrio, né?
    Imagino que você tenha dedicado esse texto para alguém. Não poder escolher por alguém às vezes chega a ser irritante, não é? Quem dera eu pudesse ter feito algumas escolhas por ele, muita coisa teria sido evitada. Mas é assim, cada um escolhendo seu próprio caminho. Assim como você tem feito com o seu.
    Beijos Sucri!

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